terça-feira, 5 de dezembro de 2017

“Garotas bonitas não comem” - Milly, 11 anos


No último final de semana vi o relato de uma garota de 11 anos, que cometeu suicídio há 2 anos em Dublin – capital da Irlanda -  por estar infeliz com o próprio corpo e umas das coisas que mais me marcou foi que ela se cortou e escreveu com o sangue: “Garotas bonitas não comem”.

Tentei me lembrar um pouco como era ser uma garota de 11 anos, na periferia da minha cidade. Eu tava na 5ª série, feliz por estar saindo do meu antigo colégio onde tinha um garoto que me ameaçava na saída da escola, quase todos os dias (foi uma enorme felicidade quando descobri que ele repetiria o ano e que eu mudaria de escola). Era também um momento de “liberdade” porque iria para um colégio mais longe de casa, com um monte de gente nova. Mas eu não consigo me lembrar de nada referente ao meu corpo, nada que tenha me marcado a ponto de me fazer lembrar duas décadas depois.

Só que há algumas semanas, fui à praia com amigos e apesar de ser o meu lugar preferido no mundo, num espaço que eu amo, o meu corpo me incomodou. Pense que apesar de ser uma praia quase deserta, eu queria esconder o meu corpo a todo momento. Me senti tão vulnerável que fui desabafar com amigas e a minha fala consistia em “tô incomodada com o meu corpo, fui a praia de biquíni e fiquei constrangida, me senti até um tico feia”. Vale ressaltar que quando digo que fui de biquíni é porque sempre existia um short, tomava banho com ele e tudo, nunca foi uma questão, mas decidi arriscar, buscar novas questões sobre mim e o meu corpo, e esse foi um passo que achei necessário, até “arriscado”.

E agora eu te pergunto, se eu que tenho plena consciência que somos naturalmente diferentes e tudo bem. Se acredito que ninguém jamais será igual a ninguém e tudo bem. Se tento nunca me comparar a pessoas porque somos diferentes e tudo bem. Se prego para mim e externalizo para o mundo que ninguém é perfeito e ok, eu fraquejei por conta de um biquíni na praia.


Não sei nem como terminar ou prosseguir nesse texto, só consigo questionar que mundo é esse que estamos educando nossas crianças. Que vida saudável e padrões estamos implementando na vida das nossas crianças, que fôrma de bolo é essa que estamos jogando os corpos das meninas, pois nenhuma delas cabe, nem as magrinhas porque sobra espaço nem as gordinhas porque elas transbordam