No último final de
semana vi o relato de uma garota de 11 anos, que cometeu suicídio há 2 anos em
Dublin – capital da Irlanda - por estar infeliz
com o próprio corpo e umas das coisas que mais me marcou foi que ela se cortou e escreveu com o sangue: “Garotas bonitas
não comem”.
Tentei
me lembrar um pouco como era ser uma garota de 11 anos, na periferia da minha
cidade. Eu tava na 5ª série, feliz por estar saindo do meu antigo colégio onde
tinha um garoto que me ameaçava na saída da escola, quase todos os dias (foi
uma enorme felicidade quando descobri que ele repetiria o ano e que eu mudaria
de escola). Era também um momento de “liberdade” porque iria para um colégio
mais longe de casa, com um monte de gente nova. Mas eu não consigo me lembrar
de nada referente ao meu corpo, nada que tenha me marcado a ponto de me fazer
lembrar duas décadas depois.
Só que há algumas
semanas, fui à praia com amigos e apesar de ser o meu lugar preferido no mundo,
num espaço que eu amo, o meu corpo me incomodou. Pense que apesar de ser uma
praia quase deserta, eu queria esconder o meu corpo a todo momento. Me senti
tão vulnerável que fui desabafar com amigas e a minha fala consistia em “tô incomodada com o meu corpo, fui a praia
de biquíni e fiquei constrangida, me senti até um tico feia”. Vale
ressaltar que quando digo que fui de biquíni é porque sempre existia um short,
tomava banho com ele e tudo, nunca foi uma questão, mas decidi arriscar, buscar
novas questões sobre mim e o meu corpo, e esse foi um passo que achei
necessário, até “arriscado”.
E agora eu te pergunto,
se eu que tenho plena consciência que somos naturalmente diferentes e tudo bem.
Se acredito que ninguém jamais será igual a ninguém e tudo bem. Se tento nunca
me comparar a pessoas porque somos diferentes e tudo bem. Se prego para mim e externalizo
para o mundo que ninguém é perfeito e ok, eu fraquejei por conta de um biquíni na
praia.
Não sei nem como
terminar ou prosseguir nesse texto, só consigo questionar que mundo é esse que
estamos educando nossas crianças. Que vida saudável e padrões estamos
implementando na vida das nossas crianças, que fôrma de bolo é essa que estamos
jogando os corpos das meninas, pois nenhuma delas cabe, nem as magrinhas porque
sobra espaço nem as gordinhas porque elas transbordam.




