quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Eu só vim pra dizer... não sou pra você, perfeição!


Nunca vive uma vida perfeita, de certezas e atitudes calculadas, o imperfeito sempre me acompanhou, ufa... sou normal. Nessa vida de gente grande, busco transparência, tranquilidade e comer quanto o meu bolso puder pagar.

Erro pelo menos umas 5 vezes ao dia, sempre com aquela probabilidade de dois para mais ou para menos, tento ao máximo respeitar a opinião do outro, seu gosto musical, seu time (mesmo que seja o time da Itinga), só peço que entenda, delicadeza nem sempre é o meu forte. Juro que não é proposital, não bancarei a Gabriela de Jorge e cantar, “eu nasci assim”, mas convenhamos, ser perfeito é démodé e desonesto.   

Nem sempre o mundo é “justo” com quem fala, “ei tô aqui, não tenho medo de viver você com as minhas próprias regras”. E nesses becos do mundo quebramos, nos quebram e a quem remonte. Hoje, quero dizer sinto muito pelas desculpas pedidas em excesso ou pelas que nunca vieram, medir também nunca foi o meu forte.

"Quando eu ficar ranzinza
e não puder mais reverter
A idade que incomoda
É um demodê feito pra vender

Vou andar no descompasso
Dos cinquenta eu não passo
Não vou ter mais sensatez
Maldizer vai virar esporte"


*Música "Demodê" da banda Maglore

domingo, 8 de dezembro de 2013

Carta nº1



Cuidado gafanhoto, quem muito olha pouco canta. A joaninha tem o riso frouxo, tão fácil que chega a ser bobo. Quem olha não vê, mas tem algo no ar, as nuvens são de algodão doce.  

Quando ela começou o seu rodar, ele fugiu, desconfiou que fosse feitiço e era. Ela se enredou no seu olhar, perdeu o vermelho da carapaça, caiu. 

Seguiram-se dias de expectativas, cinzas. Ela perdeu a esperança, ele retornou ao seu bando, ambos perderam o brilho, o sol parou de nascer.


[continua]

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Eu tive um sonho



Quando sento num lugar que os meus pés não alcançam o chão, balançá-los desgovernadamente é inevitável, é voltar aos 5 anos, é ser livre.

Nessa época, ao cair, minha mãe sempre dizia que um beijinho sarava, acho que é verdade, até hoje funciona, quase sempre. 

Quando era menina e chorava por tudo, qualquer doce me acalmava. Hoje palavras doces resolvem, mas não esqueça o doce.

Se a criança é feita de cair e levantar, não me faltaram cascões e merthiolates que curaram as feridas.

Aprender que andar é mais difícil que correr me levou décadas de vida e me trouxe rugas! Hoje já não caio tanto, mas também já não corro... só por diversão, para sentir a brisa.

Se no meio do caminho dos outros tinha uma pedra, no meu caminho tinha um recomeço... e comecei a escrevê-lo só comigo dentro.


                                                                                      D.A

domingo, 17 de novembro de 2013

Só sonhando!


No meu sonho, os seus olhos acompanhavam a transparência do mar, e você estava onde deveria estar, ali, me olhando.

Ao acordar, me lembro do tremor quando meio sem querer toquei seus dedos, da troca de sorriso frouxo e do medo de encarar seus olhos. Sempre abaixo os meus por medo de entregar o que a boca já diz só de brincadeira.


Só quero ficar um pouco mais perto, você me quer por perto? 


D.A

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A maquiagem borrou...


No fim, quando o que resta é água nos olhos e um buraco no peito, você ri, por estar vivo.Quando a alma duvida que o corpo sinta toda aquela tristeza, o corpo transborda, se permite afundar, e demonstra todo o seu pesar oferecendo o ombro de um amigo.

A cortina fechou após as lagrimas secarem, amanhã quando eles forem pintados novamente, ninguém verá, que no fundo, ela continua borrada.



                                                                                                                              D.A

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sentimentos digitais



Nessa era digital em que se enviam emails crus e sem vida, escreva cartas, borrife perfume e a faça pessoal/especial.

Nessa era digital em que o “eu te amo” é de plástico e a saudade passageira, abrace quem você quer bem, faça-o se sentir importante.

Nessa era digital em que 50 fotos são tiradas em menos de 30 min, tire uma única foto que te faça lembrar toda uma vida.

Nessa era digital em que vidas são salvas e pessoas ganham dinheiro para tratamentos de saúde através de um clique, adote um cão ou gato, e simplesmente cuide dele.

Nessa era digital em que a moda é pegar e não se apegar, apaixone-se.. por você, pela vida, pelos livros, pela dança, pela arte de estar vivo. 



D.A

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Salvador não me roube mais, please!





Não adianta poetizar, pensar na Itapuã de Toquinho e Vinicius de Moraes ou nas águas da Amaralina cantada pelo Trio Nordestino, Salvador me rouba, me rouba descaradamente todos os dias e jamais haverá retorno, o mais triste é constatar que nada posso fazer..  me deixo roubar.

A cidade que nasci e amo por me proporcionar maravilhosas brisas rouba meu tempo, minha paciência, minha vivacidade, minha juventude e porque não, o meu amor por ela. São horas dentro de ônibus com pessoas que sequer sabem para que serve um fone de ouvido, com certeza é para fazer de colar, porque colocar no órgão vestibulococlear que não é (pesquisei no Pai Google).  

Todos os dias é um teste de paciência, resistência e amor. É fato que amo minha cidade, mas no momento não gosto muito dela. Quero minhas quase 5h no trânsito de volta, quero ler os livros, ouvir as músicas ou simplesmente fazer as minhas palavras cruzadas sem ter que ouvir qualquer ritmo que não seja do meu cérebro maquinando as respostas.

Não é questão de bom senso, é saúde mental, estou enlouquecendo!

Ps. A autora saiu correndo de forma desvairada, se alguém encontrar um ser com uma mochila cheia de livros, palavras cruzadas, água, biscoitos e uma cara de louca, favor encaminhar ao sanatório mais próximo. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Esse cara é o Saramago



Ler qualquer coisa de Saramago é sempre uma dádiva, sua linguagem humana é comovente. Apesar do meu prazer pela leitura, conheci o autor através de um amigo, que há alguns anos pediu o livro “Caim” num amigo-secreto que participei.

A principio não dei muita importância, um tempo depois, com a ociosidade e sem perspectivas de bons livros para contemplar a minha insanidade de comprar pelo menos 1 por mês, cheguei a “Caim”, cheguei a José Saramago e foi amor à primeira vista. Ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1998, só o conheci a pouco, só há tão pouco tempo pude ver e ler o homem por trás de um nome.

Comecei por “Caim”, depois “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, na sequência “As intermitências da Morte” e no finalzinho de 2012, ganhei a bela obra “Ensaio sobre a Cegueira”.

Chorei, fiquei depressiva, pensei em desistir. O livro “Ensaio sobre a Cegueira” é cruel, desesperador, me fez desacreditar no ser humano. Minha recomendação é que leia, se descabele e saia das páginas revigorada pela história de um dos melhores livros que já li na vida.

Para quem não conhece, o autor explica: "Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." José Saramago fala sobre a obra “Ensaio sobre a Cegueira”.

Ps. O texto não tem por intenção ser profundo quem tiver interesse neste maravilhoso escritor tem uma enorme seara de livros para se dedicar, só desejo externar a minha admiração por Saramago. 


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Perambulando pela ortografia


Começo 1


Viviam lhe rogando praga, lhe eram até reticente. Muitos duvidam da sua procedência e buscam outro artifício para identificá-la. Nunca gostei, a não ser quando ela era usada na frase, “vou à praia”. Ainda assim, tinha dúvidas do meu gostar!

Começo 2

E a gente escreve, escreve e escreve! Linhas e mais linhas para fazer um texto criativo, diferente e inspirador, todavia só duas linhas, aquela na qual você trocou a acentuação que queria falar é a que presta.

E no fim o que realmente importa, é a última frase, a antes do FIM!

“Procuro aspas onde não tem, coloco aspas onde não devo, mas a crase, ah, ela me cansa.”

                                                                                           FIM
                                                                                                                     D.A

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sem título



Ela estava num canto,
         olhos grandes,
         corpo murcho,
desfalecendo aos poucos!

Ela sabia que estava morrendo,
              mas eles não sabiam que ela era o amor.


                                                                                                      D.A