quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Para você, sobre ela no mundo


Ele estava certo, após algumas semanas pensando sobre coisas que gostaria de ter lhe dito, ao olhar pra você ela não conseguiu falar o que havia ensaiado e o que achava correto ser dito. Ficou com medo de estragar o momento, de parecer ridícula, de ficar parecendo louca, de despirocar por uma relação que na verdade, nem via como tal. Passou a se questionar muito se isso era um incômodo, se ela estava bem com o rumo das coisas, se de fato havia se tornado essa pessoa que consegue lidar tranquilamente com uma relação não estabelecida. É óbvio que nenhum namoro ou qualquer outro tipo de relacionamento já vivido começou do nada, um olhou para o outro e disse "vamos namorar", ainda não habitava um seriado da Netflix, mas tudo a fazia questionar os entraves, as dúvidas e incertezas. E não eram dúvidas de será que sou suficiente, será que ele gosta de mim ou será que vai dá certo. O tempo inteiro as perguntas giravam em torno do "quem é você?", "Quem é essa pessoa que eu venho encarando no espelho e colocado a prova todo dia."

Tem dias que ela se questiona se aquilo é suficiente, mas já sabemos a resposta, não é, ela quer e gosta de mais, contudo, esse mais é exatamente o quê? E esse mais viria exatamente de quem? É de você, sério que é de você? Há um tempo decidiu que não se colocaria em jogo por relação nenhuma, essa foi/é seu eu racional a todo vapor. Desde então, vem se respeitando, seguindo a risca cada plano não traçado, porque convenhamos é preciso organização até no caos.

Achou que estava meio perdida, mas então percebeu que o que queria ter lhe dito e não teve coragem foi "e aí véi, o que é que tá rolando mesmo?" Não falava de namoro, casamento e casinha na praia, seria legal, mas não é isso. O que é que rola aí dentro de você, ela é do tipo espelho, reproduz o que vê, tipo criança aprendendo como comer. Você parece um baú, mas quase sempre trancado com a chave perdida, e após escrever essa frase começou a acreditar que estava falando de si mesma, será que você a lê assim?

Então, para ela "tá bom", mesmo sem compreender o que é esse "bom", muitas vezes se olhava e na verdade não era ela, estava com medo de lhe apresentar uma cópia fajuta de alguém que já foi maravilhosa, mas que hoje não é mais, vai saber! Completando a frase que iniciava o texto, sim, somos uma pessoa que fala melhor escrevendo, milimetricamente ensaiada com vírgulas e acentos nas proparoxítonas (nunca imaginei fazer um texto com essa analogia, que esnobe HAHAHAHA), será que ainda tenho chance!?