Ele estava certo, após algumas
semanas pensando sobre coisas que gostaria de ter lhe dito, ao olhar pra você ela
não conseguiu falar o que havia ensaiado e o que achava correto ser dito. Ficou
com medo de estragar o momento, de parecer ridícula, de ficar parecendo louca,
de despirocar por uma relação que na verdade, nem via como tal. Passou a se questionar
muito se isso era um incômodo, se ela estava bem com o rumo das coisas, se de
fato havia se tornado essa pessoa que consegue lidar tranquilamente com uma
relação não estabelecida. É óbvio que nenhum namoro ou qualquer outro tipo de
relacionamento já vivido começou do nada, um olhou para o outro e disse
"vamos namorar", ainda não habitava um seriado da Netflix, mas tudo a
fazia questionar os entraves, as dúvidas e incertezas. E não eram dúvidas de
será que sou suficiente, será que ele gosta de mim ou será que vai dá certo. O
tempo inteiro as perguntas giravam em torno do "quem é você?",
"Quem é essa pessoa que eu venho encarando no espelho e colocado a prova
todo dia."
Tem dias que ela se questiona se
aquilo é suficiente, mas já sabemos a resposta, não é, ela quer e gosta de
mais, contudo, esse mais é exatamente o quê? E esse mais viria exatamente de
quem? É de você, sério que é de você? Há um tempo decidiu que não se colocaria
em jogo por relação nenhuma, essa foi/é seu eu racional a todo vapor. Desde
então, vem se respeitando, seguindo a risca cada plano não traçado, porque
convenhamos é preciso organização até no caos.
Achou que estava meio perdida, mas
então percebeu que o que queria ter lhe dito e não teve coragem foi "e aí
véi, o que é que tá rolando mesmo?" Não falava de namoro, casamento e
casinha na praia, seria legal, mas não é isso. O que é que rola aí dentro de
você, ela é do tipo espelho, reproduz o que vê, tipo criança aprendendo como
comer. Você parece um baú, mas quase sempre trancado com a chave perdida, e
após escrever essa frase começou a acreditar que estava falando de si mesma,
será que você a lê assim?
Então, para ela "tá bom", mesmo
sem compreender o que é esse "bom", muitas vezes se olhava e na
verdade não era ela, estava com medo de lhe apresentar uma cópia fajuta de
alguém que já foi maravilhosa, mas que hoje não é mais, vai saber! Completando
a frase que iniciava o texto, sim, somos uma pessoa que fala melhor escrevendo,
milimetricamente ensaiada com vírgulas e acentos nas proparoxítonas (nunca
imaginei fazer um texto com essa analogia, que esnobe HAHAHAHA), será que ainda
tenho chance!?