segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Eu quero falar sobre feminismo no Enem





Passado o alvoroço do final de semana feminazi no Enem, queria conversar com vocês rapazes, vamos discutir a relação? Sei que muitos julgam esse termo como tipicamente feminino e excessivamente chato,mas prometo, serão poucas palavras. Para começar, só queria lhes fazer alguns questionamentos, no fim, que a reflexão seja pessoal. 

1.       Você realmente acredita que feminista logo lésbica que teve problemas com homens? Sério???

2.       Assistir/ler dia sim e outro também sobre mortes e violências sofridas pelas mulheres nos meios de comunicação não te possibilita dissertar sobre essa temática atual e necessária da nossa sociedade?

3.       E então, equiparidade para vocês seriam mulheres se predisporem a carregar sacos de cimentos? Isso significa que a única coisa boa de ser homem é poder carregar peso, será que vocês não estão se diminuindo?

4.       Se a frase começar com “eu não sou preconceituoso, mas..”, você realmente acredita que precisa terminá-la?

5.       Mas a saia dela era curta, a maquiagem de vadia, era 1h da manhã e ela estava no ônibus e depois fez um longo percurso a pé, porque eu não poderia assediá-la e após recusa disparar xingamentos? Boy, você também não estava na rua? A rua é um espaço só para os rapazes?

6.       E eu já usei pílula do dia seguinte umas duas vezes e ai, posso ser presa por aborto agora? Será que meu ex-namorado que comprou será autuado pelo crime comigo?

São questionamentos rasos que muitos amigos irão concordar e outros acharão que mulher se faz de vítima, que esse é o melhor papel que representamos, pois precisamos ser resgatadas pelo primeiro macho que aparecer. Eu queria crer que a porcentagem escrota é minoria (não consigo pensar em outra palavra), contudo, ouvimos relatos de pessoas tidas como comuns, amigo do amigo que bebe cerveja toda sexta-feira e que solta pérolas como; mas a roupa dela tava muito curta, feminista tem que apanhar mesmo para aprender, isso é falta de sexo, ela deve ter dormido de calça jeans, só podia ser lésbica essa feminista. 

Acredito que a escolha do tema do Enem é extremamente relevante para causa feminista no Brasil e se tem tantos homens, escrevendo “não sou machista, mas..”, é porque ainda estamos no topo do iceberg, mas vamos chegar lá. Como disse uma amiga que comunga das minhas neuras, “quando der medo, nós damos as mãos e seguimos em frente”.

Então mulheres, aqui estou, me deem as mãos!

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Se detesta bolero, nem leia!






Quando a tristeza fez morada, soluçou ao som de Chico, como flor despetalada arrancou os últimos fios. No decorrer da vida foi aprendendo a não chorar, quando o fim chegou, a página só fez queimar.

Foram-se passando dias e a tristeza foi morrendo, as lágrimas foram lavando todo o rancor que havia dentro. Ao fim do quinto dia, aceitará o julgamento, era o fim do amor, que a muito vinha morrendo.

Com tantas palavras despejadas se viu obrigada a reaprender, como é simples a vida de quem recomeçou a viver.


Ps. o texto é ridículo, ouça Chico!!! 

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Quando fui gente




Deitei pensando, e se morrer amanhã o que deixei. O que mudei na vida do outro?Não falo de amigos, que logo após o fim irão lograr as glórias da amizade compartilhada, nem dos filhos ou pais que irão detalhar quão boa mãe ou filha, fui.Penso, o que foi que fiz por um desconhecido, sem nem saber por que, que não me trouxe qualquer tipo de “lucro”, nem mesmo um “muito obrigado”.

Sinceramente, nada que eu lembre! Isso me deprime profundamente, tenho me sentido inútil, insignificante, triste. Se hoje saísse de casa para nunca mais retornar, será que alguém ia deixar de viver por isso? Meus pais ficariam arrasados, mas eles iam seguir, porque é isso que fazemos, seguimos ao ver uma criança comendo lixo na rua, seguimos quando um morador de rua pede esmola, seguimos quando suspeitamos que aquele mal vestido pode nos roubar e seguimos.

E vêm as perguntas. Preciso mesmo desse celular novo? E essa constante em comprar roupas é realmente felicidade ou compulsão? Quanto dessa comida deveria estar no meu prato? Porque tanto desperdício? Qual a minha parcela de culpa na pobreza e marginalização dos invisíveis da minha cidade?

 ENORME!

A cada dia que passa me sinto fraca, inútil e imóvel, morta. É difícil explicar, pode até parecer depressivo, mas me entristece saber que posso morrer sem ter feito nada para mudar a vida de alguém.

Dramas existenciais? Não sei, nunca vi, só ouço falar.

domingo, 8 de março de 2015

Sou mulher e ainda quero respeito, que desaforada!

 

Nesse dia 08 de março, eu gostaria de ir à praia deitar na minha canga sem me preocupar se alguém está me "secando", avaliando as imperfeitas linhas perfeitas que são minhas estrias ou regulando quais os focos da minha gordura localizada. Porque se elas não existem, nós a criamos.

E no dia 09 de março, eu realmente só queria não morrer. Porque não sei se todos sabem, mas estou morrendo todos os dias pelas mãos dos meus maridos, namorados, ex-conjugues ou em macas após abortos não legalizados. E quando no morro, sou vítima de violências verbais, sexuais e psicológicas. Queria não sofrer abuso de poder, queria inclusive não ouvir que “ela é bonitinha, mas ordinária”, só porque dei no primeiro encontro e não quero que ele ligue depois.

Quando chegar a sexta-feira e resolver sair com meus amigos, espero não ser forçada a me esquivar de homens inconvenientes que acham que “NÃO” é charme. Realmente adoraria que eles não me puxassem pelo braço ou forçassem investidas somente porque sai sozinha, com uma linda saia e um salto escândalo que me deixa divina, mas perturbadora. É sério rapazes, esses olhares quando passei foram pavorosos, cachorros vendo frango na padaria são mais comedidos, cadê o polegar opositor.

Nos dias das mães ou no meu aniversário, espero não ganhar utensílios domésticos, não nasci para domesticar coisas ou pessoas, custa pensar que mulher é ser humano, possuidor de vontades e prazeres pessoais. E se eu optar por pular o dom da maternidade, não me veja como incapaz, parir deve ser prazeroso, é a vontade de permitir que o seu coração bata no corpo de outra pessoa, nem todo mundo se espiritualizou para isso.

Não desejo ser melhor que vocês, homens. Queremos os mesmos direitos, salários dignos, opiniões respeitadas, não ouvir asneiras a la Bolsonaro, amar outra mulher sem ouvir que isso foi motivado por que nunca fomos bem comidas, se eu for forte e não me importar com sua opinião não ache que dormi de calça jeans, se rolar uma barbeiragem no trânsito não diga logo “só pode ser mulher”, quando resolver que não quero mais me relacionar com você, por favor, não me agrida e não tire o meu direito de recomeçar, não me mate!



sábado, 7 de fevereiro de 2015

Nordeste, Cabula, subúrbio... Salvador, a terra dos artilheiros!





Por mais de 20 anos fui moradora de um dos maiores bairros periféricos de Salvador, passei minha infância e início da vida adulta no Nordeste de Amaralina. Minha rua sempre foi muito unida, tínhamos festas coletivas no final de ano, as crianças brincavam na rua, dividíamos bicicletas, meninos e meninas brincavam de futebol. Foi uma época feliz, vivia livre e descalça, gosto que trago até hoje.

Na adolescência por mais que meu bairro aparecesse nas páginas policiais, minha vida nunca havia sido atingida diretamente, os criminosos da região viviam de assaltar bancos no interior da Bahia, não existia o livre comércio de drogas, as crianças permaneciam preservadas. Nessa época, começou a existir a famosa rixa entre os bairros, mesmo que muitos não soubessem onde começava um e terminava outro. Era o boato de que uma menina da Santa Cruz havia apanhado no Vale das Pedrinhas, que um menino da Chapada havia sido “escarrerado” do Areal e por ai vai, mas eram boatos, quem garante.

Até que num dia qualquer, às 19h, na cozinha de casa, ouvimos diversos tiros. Nossa primeira reação foi correr para fechar as portas e nos escondermos no cômodo mais protegido possível. Meu pai não estava em casa, ligamos e pedimos que ele não voltasse, não era seguro, havia um homem morto três casas antes da minha. Desde então nada mais foi igual, sair de casa só não era mais difícil que voltar. Mesmo às 13h, tínhamos que ligar para saber se estava tranquilo para chegar em casa e ainda assim não era certeza, conto pelo menos umas 5 pessoas que morreram de bala perdida, nesse intervalo de inferno vivido pelo bairro naquele ano de 2007, época em que me mudei porque ninguém mais conseguia viver.

Entretanto, a minha infância ficou naquelas ruas, deixei amigos de décadas, minhas diversas marcas de queda ficaram naqueles becos, minha fé no outro morreu um pouquinho em 2007, a realidade estourou a porta e me arrancou de casa numa madrugada de outubro. 

Esse relato vem após a comparação do governador Rui Costa, sobre os policiais serem artilheiros fazendo gols, são vidas derrubadas. Conviver com a violência nunca me fez aceitar que a solução é retirar a vida do outro, o Estado não pode legitimar uma ação que combate, isso vai de encontro a tudo que acredito do viver em sociedade.

Ler o que acontece na região do Cabula é reviver todas as angustias que vive no Nordeste e que ainda hoje vivem alguns amigos, pois quando cai um dono da boca de fumo ou um chefe de quadrilha, eles têm 100 outros para substituir, é como um videogame com vidas infinitas. Sei que deve ser muito difícil explicar para alguém que perdeu o ente querido por está no lugar errado na hora errada, mas na periferia de Salvador, 99% estão assim, na linha de fogo entre o crime e a “lei” do Estado.

Por fim, o que sobra é a incerteza do que é a justiça e a lei do mais forte, triste 2015!