domingo, 29 de março de 2020




Vanessa da Mata canta “hoje é meu aniversário, quero só notícia boa”, ahhh Vanessa! Mas enfim, esse mês foi seu aniversário e uns dias após a data, quando nos encontramos por acaso e lhe parabenizei você me indagou o porquê dos parabéns! HAHAHAHAHAHAHA, aquele dia você me fez rir e sem querer me poupou gastar 4 reais num churros.

Sempre que estou com alguém que não lhe conhece contando um causo nosso, eu começo dizendo “um dos meus melhores amigos...”, que sorte a minha ter sua amizade. Inclusive, essa carta/cartão de aniversário vai ser pública, mas desde o ano passado quando combinamos que iríamos voltar a trocar cartão de aniversário, fato que ainda não voltamos a cumprir - que bom que me antecipei - venha pegar o seu ao vivo, a cores e publicado!  

Nos conhecemos em 2004, num cursinho pré-vestibular, eu ainda era “rebelde”, muita roupa preta descombinante e umas calcas jeans ou taktel cortadas no joelho, que bom que moda nunca foi nosso critério de amizade. Lembro-me de empolgada perguntar qual curso você pretendia fazer, serelepe com toda a novidade, você muito fechado disse que jornalismo, aumentei minha animação e devolve com um “eu também”.

Thiago passou todo aquele ano me provando o quanto era genial, escrevia bem, fazia charge e era acidamente irônico na medida certa. Ele curtia Legião Urbana, a mãe dele faz uma das melhores lasanhas do mundo e me recordo até hoje de um show de rock numa laje que me levou, sempre fez o máximo para me incluir nas suas programações, mesmo dizendo incessantemente que estava no cursinho para estudar, que ele já tinha amigos suficientes.

Em certo tempo, quando nossa amizade já havia passado dos muros do cursinho, estávamos juntos num baba, eu sempre muito desenvolta sem querer ajudei uma colega a torcer o dedo, o que a fez colocar gesso no pé, fato que ele jamais deixaria passar em vão, tirou tanto sarro que fiquei chateada. Honestamente não lembro quem deixou de falar com quem, mas passamos um tempo numa guerra fria idiota, andávamos com a mesma galera, ainda nos sentávamos juntos, mas não nos falávamos mais.

Os amigos começaram a nos questionar porque não nos falávamos mais e muito adulta disse “porque ele não fala comigo”, resposta que se não me engano você também deu. Éramos jovens e idiotas, mas ali eu entendi que já éramos amigos. E fizemos as pazes, como duas crianças grandes que éramos (Pokémons evoluídos apesar dele sair numa van caçando Pokémon e deu ainda ser a doida do algodão doce), ele me devolveu um caderno com o desenho de uma boneca e uma música da Legião Urbana, música está que ouvi quando decidir escrever essa carta.

Eu posso passar toda uma vida tecendo elogios, contanto histórias ou relembrando sua sensibilidade, como por exemplo, quando te encontrei no dia do falecimento da minha avó e como você me acalmou cedendo seu tempo naquele dia ou quando eu perdi um voo na minha primeira semana de trabalho, te liguei soluçando do aeroporto e você me ouviu por uns 20min, além de passar toda aquela viagem monitorando se eu já estava bem e se estava correndo tudo bem.

É isso, que sorte do caralho a minha vei, não sei como foi o 2004 das pessoas, só os deuses sabem como será o nosso 2020, mas eu tenho certeza que tenho um dos melhores e mais generoso amigo do universo. Obrigada por regar comigo a nossa amizade, obrigada por me dizer que eu não sou difícil após meu namoro afundar, obrigada por me mandar fotos ridículas do seu gato na coleira, obrigada por abrir as portas da sua casa e da sua vida para que eu lhe veja crescer.

Texto escrito após ouvir Sereníssima (1991) e Vinte e Nove (1993) da Legião Urbana

domingo, 22 de março de 2020



Oi pessoal, tudo bem com vocês? Como estão as coisas?

Essas duas frases tem sido ditas por mim num looping quase que diário, com amigos próximos ou distantes, é um tempo estranho, como não seria né!

Mas vamos ao motivo de estarmos aqui hoje - que é relativo já que a internet é quase eterna, enfim, mas estamos -, há algumas semanas tenho pensado em retomar a escrita nesse blog, eu sempre escrevi, sempre tive diários a vida todinha, mas quando a escrita também se tornou uma forma de pagar boletos as coisas passaram a ter outra perspectiva.

Escrever quando se sente algo ou até mesmo para registrar um acontecimento como em diários remete a não obrigação, traz a despreocupação dessa escrita poder ou não existir, é uma combinação sua com você mesmo. A partir do momento que você começa a escrever e a produzir conteúdo escrito seja para sites, redes sociais e por ai vai, mais do que descrever o que se sente você, precisa “descrever” também o que não se sente e ai mermã, a coisa muda e muito de figura.

Não me arrependo de trabalhar com a escrita, ainda é uma das minhas enormes paixões na vida, mas tem dias que essa paixão fica em casa e você precisa retorcer a sua existência para produzir releases, posts bem humorados em redes sociais ou até produzir reportagens com temáticas nem de longe antes passadas na sua vida. É mágica essa variação de coisas, claro que é, tem dias que a gente não consegue nem dizer nosso nome completo, tem também.

A escrita assim como em qualquer outra arte, ela é doação, na faculdade na nossa primeira experiência escrevendo para o Jornal da Facom me recordo do sofrimento ao reduzir os caracteres daquele texto que foi um enorme parto. O que quero dizer com isso, que muitas das oscilações desse blog se devem ao meu desencontro com o jornalismo, com as fases desgostosas que tivemos, com outras paixões sendo concebidas e experienciadas.

Mas então porque esse texto nasceu? Para dizer que mesmo antes desse isolamento social “presencial”, já vinha ensaiando um retorno a minha escrita por paixão. O que estive pensando há algumas semanas era em escrever textos num formato de cartas, fórmula com exatamente zero de novidades, mas que percebo ser a minha fase na vida. Minha gente.. tem uns florais e uma abertura espiritual fazendo estrago neste ser, isso é assunto para uma das cartas.

Não sei se as pessoas irão me acompanhar, contudo, essa escrita antes de qualquer coisa é para alimentar uma paixão que após turbulência retorna como um amor maduro, que decidiu se reinventar e coexistir independente das tempestades que estão por vir. Amigos se preparem, talvez eu me declare de forma melosamente não característica.

Texto escrito ouvindo Acabou Chorare – Novos Baianos -1972