quarta-feira, 25 de junho de 2014

Quase fim!


Ela acordou, olhou pela janela, viu o céu nublado, repensou a programação matinal, queria voltar ao perturbado sonho, até perceber que perturbada era sua vida, cheia de idas e vindas. A Vitória é certa - hahahahahahahahaha... Ah os trocadilhos -, até a página dois. O banho foi a jato, o pão queimava na torradeira, o leite quase derramou no fogão, a vida passava.
 
Vestida na primeira roupa minimamente passada que encontrou, ela seguiu pela chuva, chegou ao trabalho, olhou para o teto na busca por inspirações, pensou em chorar lembrando-se da noite mal dormida e das revelações ouvidas. Mas chegou a conclusão que a raiva lhe secará as lágrimas, Vitória vencia a primeira etapa do desapego.

O dia se arrastou, como quando ela caiu pela primeira vez e ralou os dois joelhos, foram dias e dias com as pernas machucadas para cima. O hoje foi um dia em que as horas passaram como num filme de suspense, conjecturou viver num episódio de 24h, por fim foi se acostumando, passou pelo almoço sem perceber, engoliu a comida e voltou ao torpor do dia.

No retorno ao apartamento, a anestesia foi dando lugar ao medo do inesperado, cogitou até ligar para se desculpar e pensou nas possíveis reconciliações, nas juras trocadas no calor da emoção do quase sim. A noite foi esfriando e o coração também, passou a racionalizar, analisou cada centímetro do seu desgosto matinal, concluiu que não podia.

Fim!

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