Ela acordou, olhou pela janela, viu o céu nublado, repensou
a programação matinal, queria voltar ao perturbado sonho, até perceber que
perturbada era sua vida, cheia de idas e vindas. A Vitória é certa - hahahahahahahahaha...
Ah os trocadilhos -, até a página dois. O banho foi a jato, o pão queimava na
torradeira, o leite quase derramou no fogão, a vida passava.
Vestida na primeira roupa minimamente passada que encontrou,
ela seguiu pela chuva, chegou ao trabalho, olhou para o teto na busca por
inspirações, pensou em chorar lembrando-se da noite mal dormida e das
revelações ouvidas. Mas chegou a conclusão que a raiva lhe secará as lágrimas,
Vitória vencia a primeira etapa do desapego.
O dia se arrastou, como quando ela caiu pela primeira vez e
ralou os dois joelhos, foram dias e dias com as pernas machucadas para cima. O hoje
foi um dia em que as horas passaram como num filme de suspense, conjecturou
viver num episódio de 24h, por fim foi se acostumando, passou pelo almoço sem
perceber, engoliu a comida e voltou ao torpor do dia.
No retorno ao apartamento, a anestesia foi dando lugar ao
medo do inesperado, cogitou até ligar para se desculpar e pensou nas possíveis reconciliações,
nas juras trocadas no calor da emoção do quase sim. A noite foi esfriando e o
coração também, passou a racionalizar, analisou cada centímetro do seu desgosto
matinal, concluiu que não podia.
Fim!
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