quinta-feira, 28 de maio de 2015

Quando fui gente




Deitei pensando, e se morrer amanhã o que deixei. O que mudei na vida do outro?Não falo de amigos, que logo após o fim irão lograr as glórias da amizade compartilhada, nem dos filhos ou pais que irão detalhar quão boa mãe ou filha, fui.Penso, o que foi que fiz por um desconhecido, sem nem saber por que, que não me trouxe qualquer tipo de “lucro”, nem mesmo um “muito obrigado”.

Sinceramente, nada que eu lembre! Isso me deprime profundamente, tenho me sentido inútil, insignificante, triste. Se hoje saísse de casa para nunca mais retornar, será que alguém ia deixar de viver por isso? Meus pais ficariam arrasados, mas eles iam seguir, porque é isso que fazemos, seguimos ao ver uma criança comendo lixo na rua, seguimos quando um morador de rua pede esmola, seguimos quando suspeitamos que aquele mal vestido pode nos roubar e seguimos.

E vêm as perguntas. Preciso mesmo desse celular novo? E essa constante em comprar roupas é realmente felicidade ou compulsão? Quanto dessa comida deveria estar no meu prato? Porque tanto desperdício? Qual a minha parcela de culpa na pobreza e marginalização dos invisíveis da minha cidade?

 ENORME!

A cada dia que passa me sinto fraca, inútil e imóvel, morta. É difícil explicar, pode até parecer depressivo, mas me entristece saber que posso morrer sem ter feito nada para mudar a vida de alguém.

Dramas existenciais? Não sei, nunca vi, só ouço falar.

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