sexta-feira, 17 de outubro de 2014

“Porque prendemos se não dá certo?”




Sem Pena” começou a me intrigar pelo título, consigo formular pelo menos dois significados logo de imediato. A primeira e óbvia ideia, era o ato de não ter piedade ou compaixão por outra pessoa, logo na sequência me veio a ideia de não existir uma pena, no sentido de julgamento criminal ou pela falta dele. E logo me veio a ideia de galinha depenada, desprotegida, pronta para ir para panela, o que no fim, seria a mesma síntese da segunda ideia.  

O documentário que optou pelo som muito mais do que o visual, é surpreendentemente real e triste. Não é um julgamento imparcial, o filme me tocou por lidar com gente, é a história de vida de pessoas que enveredaram pela vida do crime ou simplesmente foram pegas para compor as estáticas de preto, pobre e presidiário.

Não sou muito de dar “dicas culturais”, não é a minha praia, pois acho que gosto se constrói não se impõe. Mas “Sem Pena” precisa ser visto, principalmente por quem pede a redução da maioridade penal. São seres humanos, presos como bichos, vivendo amontoados 24h por dia. Numa passagem do filme, um preso diz:

- Coloque um cavalo aqui dentro e “vê” quanto tempo ele dura, ele morre, fica louco. O único que suporta isso aqui é o ser humano.

Nesse momento, a cena do documentário era uma quadra, onde os presos tomavam seu banho de sonho. A grande maioria estava dando voltas, era um círculo uniforme, como baratas tontas após receberem uma baforada de inseticida, aparentavam desorientação.

“Porque prendemos se não dá certo?”


 Me ajudem a entender, responder ainda me foge a possibilidade.

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