Campanha da Dove Câmera Tímida (Revele sua beleza real)
Sempre que converso com minhas
amigas saio com uma nova palheta de cores sobre relacionamentos, cuidado,
feminismo, sororidade e respeito. É uma troca inexplicável e que só é possível
ser feita acompanhada, em grupo, com mulheres e que estejam dispostas a lhe
ouvir.
Há um tempo sempre que as pessoas
falam sobre corpo, suas formas e tamanhos, eu simplesmente afirmava não me
achar magra e nem gorda, mas normal. Após um tempo repetindo esse equívoco,
parei para refletir o real sentido de me achar normal, porque se o meu padrão é
normal, os demais são anormais? Na verdade, sempre tive problemas em lidar com
o meu corpo, mas não era um lidar porque ele tem estrias e celulites ou porque já
vesti calça tamanho 42. Era um problema crônico em aceitar que querendo ou não,
o meu corpo representava um privilégio para uma pessoa que nunca foi de dietas,
que nunca comeu salada e só depois da gastrite cortou algumas coisas que fazem
mal, por não suportava mais a dor.
Na adolescência meu corpo se
desenvolveu muito cedo, peitos grandes, quadril largo, mas as roupas eram tão
largas, meu corpo sempre tão coberto de bermudas taktel até o joelho que uma
gordura aqui e uma dobrinha ali jamais me incomodou. Na faculdade até usei uns
short e saias acima do joelho, mas a roupa continuou não sendo questão, M
sempre me deixou confortável e no calor da soterópolis um short sempre caia
bem, naquela UFBA sem ar condicionado.
E só perto dos quase 30 que
passei a me olhar no espelho e indagar aquela barriguinha em volta do umbigo,
aquele braço não tão definido, aquela bunda que tá ali e dá para o gasto e foi
nesse momento que o termo normal chegou a minha vida de feminista que lida bem
com o corpo, mas não tão bem assim. Foram cobranças tardias, vontade de usar
aqueles vestidos da moda que deixa toda mulher elegante, e lá me vem a moda das
listras, mas as horizontais não, elas te engordam. E eu que sempre fui a moça do poá, cedi as
Kardashian e suas saias coladas acima do umbigo, que porra, como aquilo é lindo
e elegante.
Entre idas e vindas, festas e leggins, sempre rolava aquela conversa de barrigas
chapadas, até porque as Pugliesis estão ai por algum motivo, musas fitness
estão na moda e em nossas vidas. E sempre que a conversava rola saia à belíssima
frase do “não, mas eu sou normal”. Normal para quem cara não tão pálida!
O que eu definia como normal era
uma mulher que não malhava, se exercitava as vezes (dançando) e que ainda assim
cabia no seu M confortavelmente, não tinha nada pulando fora da roupa e que quando
passou a usar cropped ( porque sim, eu cai nessa dos três dedos de barriga de
fora) se sentia nua. E quando eu fui repensar meus conceitos de normal para
definir meu corpo comecei a me sentir ridícula, como eu posso esbanjar meus privilégios
de ser “padrão” e levar aquilo como norma de vida.
O que é normal: O que não é diferente. O que é igual à maioria que esta ao seu redor,
não se destaca. Algo comum.
Buscando o
significado de normal entendi que na verdade o meu problema maior é minha busca
por ser comum, eu quero ser reconhecida por minhas qualidades, mas me recuso a
acreditar que estar dentro de um padrão estético seja qualidade, as vezes é genética,
uma questão de saúde ou até vontade de se encaixar ali, mas isso nunca deve ser
visto como norma, essa estética que valoriza um corpo que não é nosso.
Mas voltando a
discussão com zamigas o que ficou era, tudo que você quiser o cara lá de cima
vai lhe dar, já dizia a Xuxa, mas será que você está disposto a pagar o preço
de ser padrão?
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