terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Quando a vida mudou – parte I





E começou assim, leve como as nuvens de verão.  Num piscar de olhos e na segurança de quem se entrega a boiar no mar, chegaste simples como um livro de capa transparente. 

No imprevisto suas mãos se tocaram, por duas horas seguidas, de carinhos, cócegas e segredos não revelados. Sem jeito não queriam se soltar, ela o via com outros olhos, era uma alma livre. Ele fingia não enxergar o que acontecia e ainda assim se permitiram continuar.

O sol chegava e meio a contragosto tiveram que retornar para suas escolhas. Ele pegou o primeiro trem, ela com dor no coração o seguinte. Nenhum dos dois sabiam ao certo o que se passava, era confuso, quase não se olharam nos olhos. Temiam se entregar ao óbvio, e ainda assim era um sentimento de cumplicidade estabelecido sem uma sequer palavra dita.

Voltaram as suas realidades, ficaram frases por dizer, entrelinhas lidas por ambos com lentes diferentes, se comunicam por cartas, elas demoram a chegar, tem sido difícil falar. 

A vida segue, eles planejam se reencontrar, mas quem sabe quando esse dia irá chegar. Está cru, eu sei, é porque eles me prometeram continuar...

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