E começou assim, leve como as
nuvens de verão. Num piscar de olhos e
na segurança de quem se entrega a boiar no mar, chegaste simples como um livro
de capa transparente.
No imprevisto suas mãos se
tocaram, por duas horas seguidas, de carinhos, cócegas e segredos não
revelados. Sem jeito não queriam se soltar, ela o via com outros olhos, era uma
alma livre. Ele fingia não enxergar o que acontecia e ainda assim se permitiram
continuar.
O sol chegava e meio a contragosto
tiveram que retornar para suas escolhas. Ele pegou o primeiro trem, ela com dor
no coração o seguinte. Nenhum dos dois sabiam ao certo o que se passava, era
confuso, quase não se olharam nos olhos. Temiam se entregar ao óbvio, e ainda
assim era um sentimento de cumplicidade estabelecido sem uma sequer palavra dita.
Voltaram as suas realidades, ficaram
frases por dizer, entrelinhas lidas por ambos com lentes diferentes, se
comunicam por cartas, elas demoram a chegar, tem sido difícil falar.
A vida segue, eles planejam se reencontrar,
mas quem sabe quando esse dia irá chegar. Está cru, eu sei, é porque eles me
prometeram continuar...

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