terça-feira, 1 de março de 2016

Pare de falar, deixe tudo ao seu tempo*





Ela acorda esperançosa, apronta a vida, olha para o céu e sonha. Ele se apressa, acordou atrasado, perdeu o horário do café e sabe que até o almoço não irá descansar. A vida volta ao normal é segunda-feira. 

Trocam firulas, passam algumas horas insinuando emoções contidas no encontro passado, são piegas até no dizer. Ela reler tudo e analisa cada pontuação, teme não ser compreendida e repete seus pontos de vista até exaurir. Ele segue a vida como antes, tranquiliza-a sempre que pode das caraminholas pré-fabricadas, riem juntos, discutem situações hipotéticas e por fim concordam que dali nada vai sair. Ela nunca foi assim, tão tranquilamente feliz.

Quando se veem fazem o que mais gostam, comem e contemplam no olhar do outro a felicidade do ser óbvio, o simples ter quem tocar os dedos. Desastres acontecem, águas são derrubadas, guardanapos desperdiçados, vestidos levantados, ônibus perdidos. Por fim, as saudades são repetidas, as juras reclamadas e beijos trocados. 

No dia seguinte, o combinado era uma caminhada matinal como se propuseram a fazer no último mês, desde que decidiram compartilhar sonhos de doce de leite. “Ela não gosta muito de goiabada”, ele salientou para o padeiro, após errar o recheio na semana anterior.

A estação vai mudar, mas acredito que vão continuar.


*Trecho da música “Pode vir comigo”, Phill Veras

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