Ela acorda esperançosa, apronta a
vida, olha para o céu e sonha. Ele se apressa, acordou atrasado, perdeu o
horário do café e sabe que até o almoço não irá descansar. A vida volta ao
normal é segunda-feira.
Trocam firulas, passam algumas
horas insinuando emoções contidas no encontro passado, são piegas até no dizer.
Ela reler tudo e analisa cada pontuação, teme não ser compreendida e repete
seus pontos de vista até exaurir. Ele segue a vida como antes, tranquiliza-a sempre
que pode das caraminholas pré-fabricadas, riem juntos, discutem situações
hipotéticas e por fim concordam que dali nada vai sair. Ela nunca foi assim,
tão tranquilamente feliz.
Quando se veem fazem o que mais
gostam, comem e contemplam no olhar do outro a felicidade do ser óbvio, o
simples ter quem tocar os dedos. Desastres acontecem, águas são derrubadas,
guardanapos desperdiçados, vestidos levantados, ônibus perdidos. Por fim, as
saudades são repetidas, as juras reclamadas e beijos trocados.
No dia seguinte, o combinado era
uma caminhada matinal como se propuseram a fazer no último mês, desde que
decidiram compartilhar sonhos de doce de leite. “Ela não gosta muito de
goiabada”, ele salientou para o padeiro, após errar o recheio na semana
anterior.
A estação vai mudar, mas acredito
que vão continuar.
*Trecho da música “Pode vir
comigo”, Phill Veras

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