terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Quando Bolsonaro me fez pensar em Novos Baianos





Receber na caixa dos peitos essa nova violência bolsonariana, me fez lembrar da música “Brasil Pandeiro” dos Novos Baianos, “chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor”, chega Brasil, cansei de ser humilhada, violentada, diminuída todos os dias.

Acordo e meu primeiro pensamento é no que usar, não simplesmente pela beleza e autoestima, mas porque ando de ônibus e me prevenir para não ouvir piadinhas faz parte do meu leque de atividades diárias, já que o ditado diz, segure suas cabras, pois o meu bode está solto.

No percurso para o trabalho no ônibus cheio, minha maior preocupação caso fique em pé é achar um espaço em que possa encostar, para não correr o incômodo risco de ter que acidentalmente posicionar os cotovelos de forma agressiva, para que nenhum engraçadinho desajeitado esbarre em mim.

Todo intervalo entre o ir e vir, de almoço ou lanches, a ideia é não chamar atenção para não ouvir comentários elogiosos ao pé do ouvido, sem pedir, sem querer, sem desejar. Até porque se ela está apertadinha é porque quer mostrar, oras.

Cheguei em casa, abri o PC, era a trabalho, acabou por ser um relato de quem cansou de mostrar seu valor e não ser reconhecida, alguém que cansou de trabalhar e receber menos por causa do gênero, alguém que evita roupas para não ser elogiada sem querer, alguém que lê que Jair Bolsonaro existe e precisa acordar no dia seguinte.

Quero iluminar os terreiros e sambar, não para gringo ver, mas porque é sou livre para tal.

2 comentários:

  1. Muita boa essa reflexão, Dani. Estou também me sentindo violentada com a presença e permanência desse crápula no poder.

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  2. Dá uma raiva que salta os poros, mas o pior mesmo é saber que milhares pensam assim, a diferença é que ele tem a visibilidade pública.

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