Receber na caixa dos peitos essa
nova violência bolsonariana, me fez lembrar da música “Brasil Pandeiro” dos
Novos Baianos, “chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor”, chega
Brasil, cansei de ser humilhada, violentada, diminuída todos os dias.
Acordo e meu primeiro pensamento é
no que usar, não simplesmente pela beleza e autoestima, mas porque ando de
ônibus e me prevenir para não ouvir piadinhas faz parte do meu leque de
atividades diárias, já que o ditado diz, segure
suas cabras, pois o meu bode está solto.
No percurso para o trabalho no
ônibus cheio, minha maior preocupação caso fique em pé é achar um espaço em que
possa encostar, para não correr o incômodo risco de ter que acidentalmente
posicionar os cotovelos de forma agressiva, para que nenhum engraçadinho
desajeitado esbarre em mim.
Todo intervalo entre o ir e vir,
de almoço ou lanches, a ideia é não chamar atenção para não ouvir comentários
elogiosos ao pé do ouvido, sem pedir, sem querer, sem desejar. Até porque se
ela está apertadinha é porque quer mostrar, oras.
Cheguei em casa, abri o PC, era a
trabalho, acabou por ser um relato de quem cansou de mostrar seu valor e não
ser reconhecida, alguém que cansou de trabalhar e receber menos por causa do gênero,
alguém que evita roupas para não ser elogiada sem querer, alguém que lê que
Jair Bolsonaro existe e precisa acordar no dia seguinte.
Quero iluminar os terreiros e sambar,
não para gringo ver, mas porque é sou livre para tal.

Muita boa essa reflexão, Dani. Estou também me sentindo violentada com a presença e permanência desse crápula no poder.
ResponderExcluirDá uma raiva que salta os poros, mas o pior mesmo é saber que milhares pensam assim, a diferença é que ele tem a visibilidade pública.
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